Na era do conhecimento, a informação tem valor preponderante e constitui uma das principais variáveis do poder. Por outro lado, a elevada competitividade em alguns setores da economia cria um campo fértil para a proliferação de práticas sem qualquer ética e, muitas vezes, de natureza criminal.

Dessa forma, vê-se crescer o exercício da espionagem industrial entre as empresas. No Brasil, ainda não é cultura corrente a adoção de medidas efetivas contra as ações de espionagem, com exceção de grandes empresas.

No entanto, as facilidades tecnológicas permitem acessos remotos às redes dos descuidados. As perdas, desse modo, podem ser significativas.

Acompanhe o post e confira como se proteger da espionagem industrial.

O que é Espionagem Industrial?

A espionagem industrial é um conjunto de ações cujo objetivo é obter informações confidenciais e sigilosas sem a autorização dos detentores dessas informações. Podem ser informações comerciais ou segredos industriais, um novo projeto ou mesmo uma estratégia a ser colocada em ação.

Quase sempre o fim a que se destina é a obtenção de uma vantagem comercial, cujo uso desleal é promovido pelo competidor. No entanto, a concepção de espionagem industrial tem se expandido. Dessa forma, tem alcançado, por exemplo, iniciativas de sabotagem industrial com o uso de programas desenvolvidos para esse fim (spyware, malware e outros).

Assim, trata-se de obter, de modo irregular, informação confidencial de uma empresa — inclusive aquela abarcada pela sua propriedade intelectual, ainda que não passível de registro (o que não significa que não seja protegida) — com o fim de favorecer um ou mais concorrentes.

A espionagem industrial pode implicar em uma série de condutas consideradas crime no Brasil, sujeitando assim aqueles que estejam de alguma formula vinculados com essas atividades a pena de prisão.

A depender da “estratégia” do espião, podemos falar em crimes como os chamados crimes cibernéticos ou digitais (tecnicamente crimes informáticos), estelionato, corrupção (ainda não há entre nós a chamada corrupção entre particulares, mas apenas envolvendo órgão públicos), associação criminosa e por ai vai…

Aliás, não podemos esquecer do crime de concorrência desleal, previsto na Lei N. 9.279, de 14 de maio de 1996, conhecida como “Lei da Propriedade Industrial”, que é justamente um dos que está mis intrinsicamente conectado com essa atividade.

Como pode ocorrer?

A espionagem industrial nos tempos modernos encontra na tecnologia sua maior parceira, mas também seu maior obstáculo. Os ataques cibernéticos, por um lado, e por outro, um simples pen drive, constituem as formas mais comuns de obtenção de dados confidenciais.

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De modo geral, as diversas abordagens utilizadas para praticas atos de espionagem industrial podem ser assim relacionadas:

  • intrusão de redes corporativas (“ataque cibernético”);
  • escuta telefônica (“grampo telefônico”);
  • escuta ambiental (“grampo na sala”);
  • suborno de funcionários com acesso;
  • espionagem fotográfica;
  • interceptação de correspondência;
  • análise de resíduos administrativos (“lixo de escritório”);

Por sua vez, as informações mais comuns que podem ser consideradas segredos industriais e, dessa forma, alvo da espionagem, são:

  • relação de clientes;
  • relação de fornecedores;
  • documentos contábeis;
  • manuais técnicos;
  • especificações de produtos;
  • nova invenção;
  • novos projetos;
  • know-how;
  • estratégias de marketing;
  • estratégias comerciais.

Como se proteger dela?

A própria tecnologia que facilita o cometimento de muitos crimes também é a grande aliada para evitá-los. Por outro lado, também algumas medidas administrativas podem atuar como ações preventivas contra a espionagem industrial.

Uma consultoria especializada pode ser a melhor forma de se organizar e se estruturar com vistas à segurança de dados contra as ações de espionagem industrial, bem como a elaboração de um programa de compliance que também aborde aspectos criminais.

De todo modo, são considerados instrumentos preventivos essenciais:

  • registro de marca;
  • registro de patente;
  • registro de desenho industrial;
  • elaboração e adoção de uma política interna de segurança da informação;
  • adoção de termo de confidencialidade pelos colaboradores, fornecedores e demais pessoas que tenham acesso à informação confidencial que se quer privilegiar;
  • treinamento permanente desses colaboradores e fornecedores;
  • treinamento das equipes de pesquisa & desenvolvimento (P&D);
  • adoção de tecnologias de segurança da informação;
  • implantação de rotinas de segurança da informação, sobretudo na utilização da rede corporativa;
  • verificação permanente pela equipe de segurança da informação da possível existência de falhas no sistema.

Dessa forma, a gestão da segurança da informação pode estar melhor orientada para o cumprimento de sua missão.